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::: Quem Somos: Simone Zabeu Ferreira e  Wilson Ferreira da Silva Júnior. Professores da rede publica de ensino da região de Embu das Artes.

 ::: Elaboração do Blog: Trabalho de conclusão final do curso de Educação para Diversidade e Cidadania - UNESP/Campus Bauru - SP.

::: Objetivo do Blog: Trabalhar o tema Bullying em sala de aula, de forma a mostrar aos alunos e a comunidade escolar que devemos respeitar todas as pessoas independente de suas diferenças, sejam elas raciais, classe, opção sexual, gênero ou qualquer outra diversidade que possamos encontrar em nossa vida.

Pretendemos mostrar aos alunos que se cada um cumprir o seu papel como cidadão na sociedade, poderemos transformar esse mundo em um lugar melhor para todos.

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Domingo, Março 28, 2010 :::



O bullying como violência velada: a percepção e ação dos professores
por: Samara Pereira Oliboni

O bullying é um tipo de violência escolar; praticada entre estudantes; em que um aluno; ou mais; persegue e intimida um colega sem que exista um motivo que justifique o ato.
Com as recentes pesquisas nacionais apontando a sala de aula como o local de maior incidência do bullying; esta dissertação teve o objetivo de conhecer a percepção e atuação dos professores frente aos casos de bullying em suas atividades de aula.
Caracterizada pelo método qualitativo; a pesquisa seguiu o modelo de inserção ecológica por permitir a imersão do pesquisador no ambiente natural do objeto de estudo.
O contexto onde se desenvolveu a pesquisa; foi em uma turma de alunos de 6ª série do Ensino Fundamental de uma Escola Pública; no Estado de Santa Catarina; em 2007; tendo como participantes; os oito professores ministrantes das disciplinas.
A de coleta de dados compreendeu o uso dos instrumentos de observação e entrevista semi-estruturada.
As observações enfocaram as interações professor-aluno a partir dos encaminhamentos adotados pelos docentes diante dos conflitos ocasionados pelo bullying e; as entrevistas semi-estruturadas; individuais aos professores; explicitaram suas percepções diante dos conflitos entre alunos; em especial; ao bullying.
Após a análise textual dos dados e a partir da teoria ecológica do desenvolvimento humano; da educação ambiental e do projeto pedagógico da escola; construíram-se duas categorias interrelacionadas:

- Atuação dos Professores Frente a Prática de Bullying Entre Alunos;que é composta pelas subcategorias.
A Atividade Docente nas Manifestações de Bullying;
A Busca dos Professores por Soluções Para os Conflitos Entre Alunos; e;

-A Percepção Docente Sobre o Bullying; que é formada pelas subcategorias Identificação do Bullying Pelos Professores; Insegurança dos Professores Quanto ao que Percebem no Comportamento dos Alunos; e Percepção do Bullying Como Indisciplina. Entre os resultados; a pesquisa demonstra que apesar do projeto pedagógico estar embasado em uma proposta progressista; alguns professores pareceram ter dificuldades de se afastar de um modelo tradicional de ensino; por priorizarem o desenvolvimento do conteúdo programático específico de suas disciplinas; mesmo nas situações de conflito vivenciadas pelos alunos.
Desta forma; na tentativa de solucionar os conflitos entre alunos; a maioria dos docentes adotavam; predominantemente; o uso de reprimendas; que de modo ineficiente; pareciam contribuir para a manutenção da prática de bullying e da indisciplina.
Quanto a percepção do bullying; poucos foram os professores que perceberam essa prática identificando os alunos envolvidos. Mesmo com o reconhecimento de que o bullying perturbava o aluno alvo das agressões; os docentes mostraram-se inseguros em reconhecê-lo como violência; caracterizando-o; assim como os demais professores; apenas como indisciplina.
Em conclusão; este trabalho revela que o não reconhecimento do bullying pelos professores; como um comportamento danoso ao desenvolvimento psíquico dos alunos; aliado; as práticas educativas tradicionais adotadas; contribuem para a incidência e a manutenção do bullying em atividades de aula. A incorporação efetiva da educação ambiental como um conteúdo transversal; assim como da abordagem ecológica do desenvolvimento humano na prática docente; poderia favorecer o reconhecimento; valorização e enfrentamento das situações de bullying em aula.

Fonte: http://www.geledes.org.br/textos-relacionados-educacao/o-bullying-como-violencia-velada-a-percepcao-e-acao-dos-professores.html



::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 11:16 PM

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Sexta-feira, Março 26, 2010 :::

Segue uma sugestão de atividade que pode ser trabalhada com qualquer faixa etária com o tema Bullying.

Tema: Bullying – brincadeira sem graça

A professora Teresa Silva Dias, da EMEF Maria da Luz Gotti, de Colatina/ES, desenvolveu uma atividade sobre bullying com seus alunos da 6ª série. A partir de matéria publicada no jornal A Gazeta (ES) ela estimulou a reflexão de seus alunos e a produção de raps, paródias, pesquisas, debates, painel e gráficos. Essa atividade ganhou primeiro lugar no concurso Jornal na Sala de Aula, promovido pelo jornal A Gazeta, que elegeu as melhores práticas de 2008. A professora ganhou um computador, o segundo lugar ganhou uma câmera digital e, o terceiro, um DVD.

Objetivos:

=> Promover a utilização do jornal como veículo de formação e cidadania.
=> Incorporar novos conhecimentos via leitura de matérias jornalísticas.
=> Incentivar melhor domínio e manejo das linguagens oral e escrita.
=> Motivar o aluno a participar de pesquisas a partir de temas estudados na sala de aula, gerados pelo jornal.
=> Democratizar as informações e gerar ações sociais mais frequentes na escola.
=> Favorecer a formação de opinião, levando a mudanças de posicionamento e de atitudes.
=> Conhecer o fenômeno bullying, refletindo sobre suas consequências na vida dos alunos.
=> Divulgar o conceito de bullying não só no ambiente escolar e familiar, mas também para a sociedade.
=> Oferecer atividades que trabalhem valores como tolerância e solidariedade.
=> Ensinar os alunos a conviver com as diferenças.
=> Promover o diálogo entre os alunos, despertando-lhes a consciência crítica.
=> Resgatar as regras principais de convivência, valorizando o respeito ao próximo e a si mesmo.
=> Reforçar o valor da ética nos dias atuais e a necessidade de exercitá-la em nossas atitudes diárias.
=> Estimular o companheirismo, a amizade e o respeito ao outro.

Desenvolvimento:

=> Leitura da matéria “Humilhação de colegas na escola provoca ação na Justiça – Varas de Infância, polícia e conselhos tutelares recebem denúncias de bullying, como prática é conhecida”, publicada no jornal A GAZETA no dia 25/08/08.
OBS: Professores de outros estados podem usar matérias sobre bullying de jornais locais ou retiradas do portal de jornais na internet.=> Debate sobre o assunto, mostrando que aquilo que pensam ser uma simples brincadeira pode trazer algum sofrimento para o colega e que, de acordo com a intenção, repetição e motivação, pode ser caracterizado o fenômeno bullying.
=> Leitura do texto “Bullying: o exercício da intimidação”, no livro didático do aluno (Português Linguagens), com atividades de compreensão e interpretação.
=> Pesquisa na internet sobre o assunto.
=> Questionário entre os alunos sobre práticas que podem caracterizar bullying.
=> Elaboração de um gráfico após o levantamento dos dados do questionário.
=> Depoimentos dos alunos relacionados à prática do bullying.
=> Apresentação das pesquisas realizadas em projetor de multimídia para as outras turmas da escola.
=> Apresentação de uma peça de teatro sobre bullying, escrita pelos próprios alunos.
=> Montagem de um mural com exposição das pesquisas e descobertas, tentando sensibilizar toda a comunidade escolar.
=> Painel com a “Árvore da amizade”, para valorizar o companheirismo entre os alunos.
=> Criação do “Rap do bullying” e da paródia da música “Tremendo vacilão”, da cantora Perla.
=> Elaboração de um boletim informativo contendo os principais dados sobre bullying para ser distribuído na escola.

Comentário:

“Realizar esta atividade foi muito importante, uma vez que os alunos não conheciam o fenômeno bullying como as atitudes que muitos praticam ou sofrem. A partir da leitura do jornal A GAZETA, pude desencadear uma longa discussão sobre o assunto, que foi complementado com ampla pesquisa, gerando uma gama de atividades diversificadas.
Procurei no decorrer das atividades despertar os alunos que uma sociedade justa só será possível se cada um respeitar o outro em suas diferenças e limitações, o que só se consegue se o ambiente em que vivem for seguro e saudável.”

Professora: Teresa Silva Dias
Escola: EMEF Maria da Luz Gotti
Série: 6ª
Município: Colatina - ES

Fonte: http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/biblioteca/atividades-com-jornal/bullying-2013-brincadeira-sem-graca


::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 4:42 PM

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Domingo, Março 21, 2010 :::


Como lidar com o Bullying na escola - dica para os pais

COMO OS PAIS PODEM AJUDAR?

Seu filho pode não contar a você que está sofrendo bullying na escola. Fique atento para os seguintes sinais que ele pode apresentar:

=> Agir de forma estranha, geralmente se isolando.
=> Apresentar sinais de trauma como ferimentos ou hematomas sem explicação.
=> Chegar com roupas rasgadas.
=> Demonstrar medo de ir à escola.
=> Ter problemas para dormir.
=> Apresentar mudanças de humor...
=> Parar de falar sobre a escola.
=> Encontrar desculpas para faltar à escola.
=> Fazer subitamente novas amizades.
=> Apresentar comportamento agressivo em casa (às vezes o que sofre bullying pode descontar nos irmãos).

Converse com seu filho:

=> Se você notar sinais de alerta de que seu filho pode estar sendo vítima de bullying, saiba que há maneiras de você conversar com ele sobre o que de fato está acontecendo na escola.
=> Faça perguntas provocadoras na terceira pessoa como, por exemplo, para sua filha "como as meninas se relacionam na escola" ou "como você se sente quando está na escola?".
=> Lembre-se que o que você pode fazer de mais importante é escutar seu filho e abraçá-lo.

Como você pode ajudar se seu filho é vítima de bullying na escola, você deve:

=> Levar o assunto a sério. Não minimizar o ocorrido.
=> Manter um diálogo aberto com seu filho sobre bullying.
=> Não pensar que o bullying acabou porque seu filho parou de falar sobre ele.
=> Dar conselhos consistentes.
=> Reforçar a auto-estima de seu filho. Ajudá-lo a achar uma atividade na qual ele se adapte.
=> Não agir sozinho. Encontre outros pais cujos filhos estão também sofrendo bullying ou presenciaram o bullying e se organizem.
=> Lembrar a seu filho que você o ama e enconrajá-lo a conseguir aliados entre os colegas.
=> Contatar sua escola para contar o que está acontecendo.

O que não fazer:

=> Nunca dizer a seu filho/filha que o que está acontecendo faz parte de uma fase normal.
=> Não minimizar o problema.
=> Nunca diga a seu filho/filha que ele/ela está sendo exageradamente sensível.
=> Nunca lhes atribua a culpa por estarem sofrendo bullying.
=> Nunca diga a eles que os colegas estão apenas brincando.

O que seu filho pode fazer:

Mesmo que seu filho seja contra, vá à escola e diga o que está acontecendo e trabalhe com a escola para ter a certeza de que seu filho será protegido. Você pode também ajudar seu filho a lidar com o autor do bullying desde o início das provocações, dizendo a eles que:

=> Reaja falando firme: "Pare com isto. Não gostei!"
=> Consiga colegas para ajudá-lo a enfrentar o autor do bullying.
=> A coisa mais importantes para uma criança se lembrar é que ela deve contar para um adulto logo que o bullying acontecer. Um adulto pode apoiar e dar força a uma criança e enfraquecer o autor do bullying.

Fonte: http://www.observatoriodainfancia.com.br/

::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 11:55 PM

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Domingo, Fevereiro 28, 2010 :::

Violências nas escolas: o "bullying" e a indisciplina



Marilia Pinto de Carvalho
O termo "bullying" compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre estudantes e o desequilíbrio de poder são as características essenciais que tornam possível a intimidação da vítima. Por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de "bullying" possíveis, usamos o termo em inglês. Algumas ações que costumam estar presentes nessas práticas: colocar apelidos, ofender, humilhar, discriminar, excluir, intimidar, perseguir, assediar, amedrontar, agredir, bater, roubar ou quebrar pertences, entre outras formas. As primeiras investigações sobre "bullying" foram realizadas na Suécia nos anos 1970, e a partir daí o interesse se generalizou para os outros países escandinavos e outras regiões da Europa e Estados Unidos. No Brasil, os estudos enfocando o "bullying" são mais recentes e datam da década de 1990. Têm se dedicado a esse tema, em especial, a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia) e pesquisadores como Cleodelice Fante (2003), que realizou estudos em São José do Rio Preto, estado de São Paulo.

Neste texto, o "bullying" será tratado como parte dos comportamentos de indisciplina escolar. Para nós, a INDISCIPLINA inclui todos os atos que ferem as regras de bom funcionamento da escola e das aulas: as práticas de agressão física e verbal entre colegas, que caracterizam o "bullying"; todas as formas de desrespeito e agressão verbal aos professores e outros educadores da escola; ações contra o patrimônio, como pichações, quebra de carteiras e materiais; recusa a participar das atividades escolares, conversas, barulho ou deslocamentos indevidos durante as aulas; e muitos outros atos, freqüentemente chamados de microviolências ou incivilidades. Na verdade, o conceito de INDISCIPLINA é extremamente amplo e vago. Algumas regras, em geral, estão especificadas nos regimentos escolares, mas no cotidiano das classes são os professores que, com seus diferentes estilos e formas de organização do trabalho, delimitam o que é considerado ou não indisciplina. O mesmo acontece freqüentemente nos pátios de recreio, nos quais inspetores de alunos e outros funcionários podem definir quais são os comportamentos aceitos ou não.

A INDISCIPLINA é hoje uma das principais queixas tanto de professores quanto de alunos, quando perguntados sobre o principal problema de suas escolas. E é cada vez mais freqüente, tanto nas falas dos educadores, quanto na imprensa, ocorrer uma grande confusão entre VIOLÊNCIA e INDISCIPLINA. Há, efetivamente muitas situações em que é difícil separar com clareza esses conceitos e há muitos casos em que uma ação de indisciplina transita para um ato violento: por exemplo, quando dois alunos começam uma discussão durante uma aula e essa discussão desemboca numa briga em que estão envolvidas armas. Também é muito importante reconhecer o sentido anti-ético e antipedagógico de certas ações dos próprios professores, como o desrespeito aos alunos, o absenteísmo sistemático, o descaso com a qualidade de suas aulas etc. Mas chamar todos esses comportamentos de VIOLÊNCIA (ainda que simbólica) tem gerado mais confusão do que soluções. Uma forma simples de distingui-las é que atos de VIOLÊNCIA ferem o Código Penal (por exemplo: porte de armas, uso de drogas etc.); já atos de INDISCIPLINA dizem respeito apenas ao âmbito escolar, ferem o regimento escolar, os acordos (nem sempre bem explicitados) para o bom funcionamento do trabalho pedagógico ou as regras de boa convivência e civilidade.

O atual clima de medo e violência generalizados, que é reforçado pela mídia, tem levado muitos educadores a tratarem como casos de polícia situações que poderiam e deveriam ser resolvidas como questões educacionais, por isso considero importante distinguir esses dois conceitos. Isso ocorre não apenas no Brasil, como vimos recentemente na televisão, com a polícia norte-americana sendo chamada a uma escola para prender uma garotinha negra de apenas 5 ou 6 anos de idade, que estava agressiva e descontrolada. Há dois meses uma pesquisadora da USP presenciou a Guarda Municipal de São Paulo ser chamada para dentro de uma sala de aula do Ensino Médio de uma escola pública de periferia, para obrigar um aluno a tirar o boné!

Para nós, educadores, o mais importante é tentar entender as atitudes de nossos alunos e alunas, quais são as mensagens que eles estão nos passando por meio da linguagem da indisciplina: por que eles nos desobedecem e desafiam? Por que muitos insistem em atrapalhar as aulas? Por que tratam os colegas de forma desrespeitosa e agressiva? Por que estragam, riscam e destroem sua própria sala de aula, sua escola?

Para compreender esses "recados" cifrados, devemos, em primeiro lugar, abandonar duas afirmações muito freqüentes. A primeira é que a indisciplina é um fenômeno recente nas escolas ou, pelo menos, que aumentou de maneira surpreendente nos últimos anos. Não há nada que nos comprove isso, embora haja um aumento de sua visibilidade e possa ser verdadeiro um aumento da freqüência de atos indisciplinados. A indisciplina escolar é objeto de estudo de sociólogos, como o francês Emile Durkheim, pelo menos desde a passagem do século XIX para o XX. Se a escola exige uma certa disciplina, um tipo de comportamento regrado para que seus objetivos de aprendizagem e socialização se realizem, ela traz sempre consigo a indisciplina, a burla às regras estabelecidas. O que há hoje, com certeza, no Brasil é um aumento das falas e das preocupações com respeito à indisciplina e isso tanto por parte de educadores quanto dos próprios alunos.

A segunda afirmação que devemos abandonar é de que esse suposto aumento da indisciplina estaria ligado à ampliação das oportunidades de acesso à escola, que trouxe para dentro de seus muros um conjunto de alunos originados de famílias de camadas populares. Esses alunos trariam de casa um comportamento desregrado, anti-escolar, seriam mal-educados e indisciplinados. Essa idéia em geral vem acompanhada de um forte julgamento moral das famílias pobres - especialmente das mães -que seriam "famílias desestruturadas", incapazes de educar seus filhos adequadamente.

Ora, recentemente participei de uma pesquisa junto a uma escola pública de Ensino Médio, cujos educadores procuraram nossa equipe da USP justamente porque percebiam a instituição como muito violenta e queriam buscar soluções junto conosco. Montamos um projeto de pesquisa em colaboração, do qual participaram tanto professores da escola quanto pesquisadores da universidade. E quais foram nossas constatações ao ouvir os alunos e freqüentar a escola? Que não se tratava propriamente de violência, mas de indisciplina; que essa indisciplina incomodava profundamente os próprios alunos; e que eles alegavam não apenas a falta de regras claras, mas também a oferta de um ensino de muito baixa qualidade, com turmas lotadas, falta de aulas práticas, falta de materiais, professores cansados e desinteressados.

Por um lado, é inegável que vivemos um momento de profundas transformações nas relações entre jovens e adultos, no qual a autoridade das velhas gerações é contestada e a legitimidade da escola como espaço de transmissão de saberes relevantes é colocada em cheque a cada momento ("Para que eu preciso aprender isso?" - "Por que devo estudar se meu diploma não valerá nada no mercado de trabalho?"). Por outro lado, as escolas às quais esses novos alunos de camadas populares estão tendo acesso são de péssima qualidade, pois a expansão está sendo feita sem que haja recursos suficientes para a formação e para o pagamento de salários adequados aos professores, para a montagem de bibliotecas, laboratórios e salas de informática, para que seja oferecido um ensino flexível, atraente. A qualidade do ensino envolve tanto aspectos materiais quanto a presença de um corpo docente estável e satisfeito, que disponha de tempo remunerado para reuniões, e possa dedicar-se a uma única escola, como indicam estudos internacionais conduzidos pela UNESCO (1998). Nossos professores sentem-se despreparados diante das novas exigências dos jovens, particularmente no que se refere àquilo que ultrapassa os conteúdos específicos de suas disciplinas (História, Geografia, Português etc.), aquilo que se refere à socialização, ao comportamento e à vida dos estudantes para além da escola. Nossos jovens vivem num mundo que lhes oferece bem poucas alternativas de realização pessoal e profissional e que os bombardeia o tempo todo com valores ligados ao individualismo, à ascensão social, ao consumismo, à competitividade.

Na escola em que pesquisamos, os professores participantes envolveram-se na elaboração de novas propostas pedagógicas para suas matérias, criando projetos e atividades interdisciplinares. E, por outro lado, exercitaram sua capacidade de ouvir os alunos e de ajudá-los a aprender a resolver conflitos de forma negociada e solidária. A mudança de atitude institucional mostrou-se tão importante quanto a recuperação material da escola, que era considerada feia, suja e mal equipada pelos alunos. Nada disso foi fácil, nem são conquistas definitivas, mas deram-nos a certeza de que é preciso parar de se queixar das famílias e da violência social e perceber quais são as relações estabelecidas dentro da própria escola e que tipo de ensino oferecemos a nossos alunos. Podemos reconquistar respeito e legitimidade por meio de um trabalho pedagógico sério e de relações democráticas. Isto é, comportamentos de INDISCIPLINA, muitas vezes, são recados de que os alunos não estão vendo sentido em nada e querem mais respeito às suas idéias, ao mesmo tempo que necessitam de regras mais claras e justas e de um ensino de qualidade que leve em consideração suas capacidades e suas vivências fora da escola.

Finalmente, gostaria de destacar que tanto o "bullying" quanto a indisciplina não acontecem apenas devido a características individuais de cada aluno, tendência que tem predominado na análise desses fenômenos. É claro que há casos de problemas de personalidade que o apoio de profissionais especializados poderia amenizar. Mas a indisciplina é um fenômeno fundamentalmente coletivo e caracteristicamente escolar. Quantas vezes vemos um aluno que, individualmente, é cordato, transformar-se num bagunceiro quanto se junta a determinado grupo ou classe?

INDISCIPLINA também é um fenômeno marcado por todas as desigualdades e hierarquias sociais. Perseguições e apelidos muitas vezes estão ligados ao pertencimento racial e à orientação sexual de colegas, reforçando e recriando preconceitos, racismo e homofobia. Além disso, sabemos que tanto as vítimas quanto os autores nessas situações são, na sua maioria, meninos e rapazes, e que há modelos de masculinidade aí envolvidos. É estranho como esses temas vêm sendo discutidos no Brasil como se eles nada tivessem a ver com as relações de gênero, quando na verdade estamos falando o tempo todo de determinadas formas de masculinidade - de rapazes que buscam afirmar sua virilidade por meio do enfrentamento das regras escolares, do uso da força física, da agressão e de conquistas heterossexuais. Essas masculinidades fazem parte da trajetória de um grupo significativo de nossos alunos, um caminho que muitas vezes desemboca em atitudes anti-escola, em fracasso escolar, transgressão e, no limite, em violência social.

É importante ressaltar que essas masculinidades não vêm prontas de fora para dentro do ambiente escolar. A masculinidade está organizada, em escala macro, em torno da posse do poder social: afirmar a própria virilidade implica o exercício de algum tipo de poder. Na medida em que se vêem excluídos do sucesso escolar e do reconhecimento acadêmico, alguns estudantes assumem essas formas de masculinidade de enfrentamento como única via de realização de algum poder e autonomia.

Eles lidam com as múltiplas incertezas de sua posição, desenvolvendo o que é considerado pelos adultos da escola como agressividade, indisciplina, abuso de poder e mesmo violência. Ao deixar intocada a discussão sobre a relação intrínseca e pretensamente natural entre masculinidade e poder e ao mesmo tempo dificultar o acesso a outras formas de poder socialmente mais aceitáveis, como por meio do bom desempenho escolar, a escola pode estar contribuindo na construção de trajetórias de indisciplina e de violência.

Fonte: http://www.observatoriodainfancia.com.br/


::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 10:02 PM

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Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010 :::

O que é Bullying?

O termo BULLYING compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotada por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.
Por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de BULLYING possíveis, o quadro, a seguir, relaciona algumas ações que podem estar presentes:

Colocar apelidos - Ofender - Zoar - Gozar - Encarnar - Sacanear - Humilhar - Fazer sofrer - Discriminar - Excluir - Isolar - Ignorar - Intimidar - Perseguir - Assediar - Aterrorizar - Amedrontar - Tiranizar - Dominar - Agredir - Bater - Chutar - Empurrar - Ferir - Roubar - Quebrar pertences


Quais são as conseqüências do Bullying sobre o ambiente escolar?

Quando não há intervenções efetivas contra o BULLYING, o ambiente escolar torna-se totalmente contaminado. Todas as crianças, sem exceção, são afetadas negativamente, passando a experimentar sentimentos de ansiedade e medo. Alguns alunos, que testemunham as situações de BULLYING, quando percebem que o comportamento agressivo não trás nenhuma conseqüência a quem o pratica, poderão achar por bem adotá-lo.
Alguns dos casos citados na imprensa, como o ocorrido na cidade de Taiúva, interior de São Paulo, no início de 2003, nos quais um ou mais alunos entraram armados na escola, atirando contra quem estivesse a sua frente, retratavam reações de crianças vítimas de BULLYING. Merecem destaque algumas reflexões sobre isso:

- depois de muito sofrerem, esses alunos, utilizaram a arma como instrumento de "superação” do poder que os subjugava.

- seus alvos, em praticamente todos os casos, não eram os alunos que os agrediam ou intimidavam. Quando resolveram reagir, o fizeram contra todos da escola, pois todos teriam se omitido e ignorado seus sentimentos e sofrimento.

As medidas adotadas pela escola para o controle do BULLYING, se bem aplicadas e envolvendo toda a comunidade escolar, contribuirão positivamente para a formação de uma cultura de não violência na sociedade.

Fonte: http://www.bullying.com.br/BConceituacao21.htm


::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 11:10 PM

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Quinta-feira, Fevereiro 25, 2010 :::

Bully - O Jogo mais absurdo do momento

Tive a oportunidade de jogar o Bully, confesso que é deprimente e até me senti mal, mas o que esse jogo pode fazer com a cabeça dos adolescentes já não sei dizer, pois minha sobrinha de 17 anos dona do jogo define ele da seguinte forma: "É da hora bater nos caras." Assustador não acham?
Segue um resumo do que é o jogo e também um trailer com algumas cenas.

O que a produtora Rockstar tinha na cabeça para batizar seu novo jogo como "Bully"? O termo se refere aos maus tratos físicos e psicológicos que alguns alunos sofrem nas escolas, um fenômeno muito sério em alguns países e que estaria ligado a tragédias de estudantes baleando seus colegas, como no caso da cidade de Columbine. O nome rendeu tantas polêmicas que a produtora se viu obrigada a trocá-lo na Europa e na Austrália para o horrível "Canis Canem Edit", termo em latim que significa "cão come cão".

Alguns conservadores consideraram, diante de informações preliminares, que "Bully" seria um novo tipo de "Grand Theft Auto", uma das séries de maior controvérsia na história dos jogos eletrônicos, ou, pior, de "simulador de Columbine", cunhado por um conhecido advogado anti-videogame. O fato é que o título é muito mais polêmico que seu conteúdo. Mas a melhor notícia é que o jogo está à altura da publicidade que se gerou em torno dele.

Minha nada mole vida escolar

"Bully" é um jogo de ação com estrutura aberta de fases, permitindo bastante liberdade e exploração, graças a um mapa bem extenso. Escrevendo assim, até parece a descrição de "Grand Theft Auto" e, de fato, os dois títulos guardam muitas semelhanças. Mas o assunto de "Bully" é mais específico, o que significa um mundo muito menor, mas que permite ser explorado mais profundamente.

Quase tudo funciona da mesma forma que o game carro-chefe da Rockstar, mas adaptado à vida escolar: em vez de crimes, delinqüências juvenis - ou, se quiser, um senso de justiça todo peculiar -; no lugar de policiais, inspetores de escola; e, na hora de tirar as diferenças, nada de artilharia pesada, mas socos, chutes e algumas armas caseiras, como estilingue e bolinhas de gude.

Apesar de mais inocente, o título tem sua cota de controvérsia, mas muito mais leve que um "Manhunt" ou próprio "GTA", tanto que ganhou a classificação "Teen" (apropriado para acima de 13 anos) pela ESRB, órgão americano que determina a indicação etária para os jogos.

No mundo de "Bully", muitos personagens têm desvio de moral, desde o protagonista Jimmy Hopkins, 15, um pestinha de marca maior, até os altos quadros da Academia Bullworth, a instituição na qual Hopkins é matriculada por sua mãe e o novo marido rico dela. Assim, o casal fica livre para fazer uma longa lua-de-mel.

Aqui, o limite da violência é espancar o adversário com um taco de beisebol, por exemplo, mas sem mortes. Um pouco mais espinhosa é a violência moral, pois você pode aplicar um "bullying" nos oponentes, que, consiste, basicamente, em humilhá-los, ainda que o game não incentive essas ações. No lado amoroso, o máximo que acontece são beijos na boca com várias garotas (e também com alguns garotos). Drogas, nem pensar. Enfim, não tem nenhum conteúdo mais forte que outros jogos ou filmes da mesma classificação etária.




::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 5:13 PM

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Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010 :::

Gordinho como eu (To be fat like me - 2007)




Engraçado como às vezes a gente passa pela grade de filmes e encontra coisas inesperadas. Como esse é um assunto que podia ser tratado neste blog então decidimos assistir.

A história gira em torno de Alyson, uma garota loira, magra e popular na escola. Sempre tinha sido atlética e era uma promessa do time de softbol. Porém uma lesão na perna a tirou da temporada e a impediu de conseguir uma bolsa de estudos na universidade naquele semestre.
Passado esse momento frustrante, Aly decidiu fazer algo diferente naquele verão. Ela reparou que a mãe e o irmão eram acima do peso e tinham atitudes frustradas bem semelhantes, sempre culpando o excesso de peso pelos problemas na vida.
Então, reuniu-se com uma amiga e resolveu fazer um documentário sobre como era ser obeso. Ela usava maquiagens e roupas de enchimento, matriculou-se numa turma de desconhecidos e começou a viver aquela realidade. O documentário, caso ficasse bom, podeia lhe render dez mil dólares para os estudos. Então lá foi ela, armada de mentiras, disfarces, fones e câmeras escondidas.

Todavia, no decorrer desse teatrinho, Alyson começou a perceber como era triste estar sob uma pele gorda. Sofreu muito preconceito e humilhação, na cara e pelas costas, coisas que ela sequer sonhava em viver por ser esportista. Ela até chegou a manter a simpatia e a extroversão, o que lhe rendeu razoáveis resultados até para seus novos amigos também gordos. Porém ela realmente viu como é difícil ser julgada unicamente pela aparência, passar por problemas de saúde e dramas sociais, e muitas vezes sofrer calado por causa de chacotas.

Depois que descobriram o disfarce dela, muita coisa desmoronou. Uma coisa interessante que a amiga obesa Ramona falou para ela foi: se os gordos passam por todas essas coisas ruins e não falam ou fazem nada, é porque em algum nível eles acham que eles merecem isso.

Ele é perfeito para ser trabalhado em sala de aula abordando o tema Bullying. Vale a pena ver.


::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 10:05 PM

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Terça-feira, Fevereiro 23, 2010 :::



::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 10:47 PM

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Preconceito piora desempenho de alunos, diz pesquisa

Segundo estudo feito pela Fipe, vítimas mais frequentes de práticas discriminatórias são negros, pobres e homossexuais. Prática de bullying, em que alunos humilham colegas, é uma das experiências que mais prejudicam a nota dos estudantes
MARIANA BARROS
da Folha de S.Paulo


Alunos zombando de outros alunos, de professores ou de funcionários do local onde estudam é, mais do que brincadeira de mau gosto, sinal de pior rendimento escolar.
Uma pesquisa realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) a pedido do MEC (Ministério da Educação) demonstrou que, quanto mais preconceito e práticas discriminatórias existem em uma escola pública, pior é o desempenho de seus estudantes.
Entre as experiências mais nocivas vividas por esses jovens está o bullying, que é a humilhação perante colegas por motivo de intolerância.
As consequências na performance estudantil são mais graves quando as vítimas de zombaria são os professores. Entre os alunos, os principais alvos são, respectivamente, negros, pobres e homossexuais.
Para chegar a essa associação entre o grau de intolerância e o desempenho escolar, o estudo considerou os resultados da Prova Brasil de 2007, exame de habilidades de português e matemática realizado por quem cursa da 4ª à 8ª série do ensino fundamental da rede pública.
A conclusão foi que as escolas com notas mais baixas registraram maior aversão ao que é diferente. O MEC não informou que medidas pretende tomar a respeito dessa constatação.
"A conjectura que podemos fazer é que o bullying gera um ambiente que não é propício ao aprendizado", afirma o economista José Afonso Mazzon, coordenador da pesquisa.
"Não é uma questão de política educacional, mas de governo, de Estado. O indivíduo que nasce negro, pobre e homossexual está com um carimbo muito sério pela vida toda", diz Mazzon, para quem o preconceito vem normalmente da própria família. "Para alterar uma situação como essa acredito que levará gerações."
Foram entrevistadas 18.600 pessoas, entre alunos, pais, diretores, professores e funcionários de 501 escolas de todo o Brasil. Entre os estudantes, participaram da pesquisa os que cursam a 7ª ou a 8ª série do ensino fundamental, a 3ª ou a 4ª série do ensino médio e o antigo supletivo, o EJA (Educação para Jovens e Adultos). Do total estudantil, 70% têm menos de 20 anos.
O estudo mostrou ainda que alunos com forte participação religiosa tendem a ser mais preconceituosos, principalmente em relação a homossexuais. A maioria dos estudantes que participaram do estudo é católica (65%). Evangélicos são o segundo maior grupo (31,2%).
Outra constatação foi que os veículos de comunicação – rádios, TV, jornais e revistas – servem como ferramenta de combate ao preconceito. Pessoas que têm mais contato com a mídia demonstraram maior tolerância, diferença percebida principalmente em questões de gênero, deficiência, étnicas, raciais e de geração.

::: Escrito por Combatendo o Bullying ás 12:16 AM

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